domingo, 6 de outubro de 2013

O amor e o óleo de soja


(Escrevi esse texto há cinco anos e publiquei-o em um outro blog, que já não existe mais. Mas ele fez tanto sucesso que não pude deixar de postá-lo aqui também!)

Acabo de chegar de um dos meus points favoritos: O Quartel General da Praia, ou QG para os íntimos. E vi uma das coisas mais românticas do mundo, uma prova factual da existência do amor. Pois é, ele existe, e hoje se manifestou lá no QG! Um casal (não dos mais atraentes, é verdade) conversava e exibia carícias numa daquelas mesas pretinhas, style, da Nobel (mas o bar é bom, eu juro!!!). De fundo, a atração musical tentava fazer um cover de Djavan...
Entre um tcha-cum-dum e outro, eis que chega à mesa o petisco dos pombinhos: uma porção de calabresa com fritas, acompanhada de uma generosa porção de molho rosé. Nossa! Os pedaços de calabresa e os enormes palitos de batata frita, ambos encharcados de gordura, mergulhavam naquela duvidosa guloseima à base de maionese e catchup, e saíam rumo às bocas prestes a carimbar os denins com a substância rósea.
Mas o amor não estava aí exatamente. Ele se fez presente por inteiro quando, entre um mergulho e outro, as bocas trocaram bicotas generosas - obviamente regadas a uma Skol estupidamente gelada. Após algumas palitadas, goles, beijos gordurosos, carícias e acordes fagnerianos, o casal se retira e segue satisfeito e enamorado num bucólico começo de noite dominical.
Ah, o amor e suas manifestações... Enquanto eu e Felipe, tão amantes quanto aqueles, celebrávamos nossas vidas através de assépticos corações de galinha acompanhados de farofinha, outros se deixavam transbordar a paixão naquele mar de óleo saturado!

(Ai, ai... Apenas viagens de um fim de domingo tranqüilo e feliz.)

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